Mostrando postagens com marcador Poesias. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Poesias. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Quieto

Quieto

Posso ouvir teus passos
A chegar-se manso,
Instalar-se
E aquietar-se nas horas de encanto
Saboreando de olhos fechados
O gosto de maresia
Aninhado
Sereno e isolado
Sem querer dividir pensamento
Nem compartilhar do sorriso leve
Que te brota feliz na doce face.


Anto 20/10/08

domingo, 12 de outubro de 2008

O Meretrício

O meretrício

Gentil-homem
Estás à procura de que?
Dou-te afago, dou-te dotes
Mas vendo-te afeto
Já que ele, afeto, me custa tanto também

Dou-te o corpo, beijos, açoites
Como queira
Vendo-te a alma que se desfaz em dias e noites
O espírito inquieto que se move
E já não cabe em mim

Dou-te um filho,
Dou-te vozes e gemidos
E ainda sou capaz de vender-te um suspiro
Aquele que me sai ao peito
Quando bates a porta atrás de ti

Gentil-homem, quero dar-te meu suor
E em troca tomar o calor de teus braços
Mesmo que sejas tu a pagar por entregá-los a mim
Não vejo mal,
Não possuo mal
Sou blasfêmia, sou fêmea
E aceito meu destino, minhas formas
Sem álibis insinceros

Já não posso deixar-te ir
Sem que saibas o que te posso dar
Sem que tenhas o que te quero vender
Mais uma noite
Mais um dia
Algumas horas de prazer

Gentil-homem
Estarás diante de meus olhos
Mesmo que outro seja teu semblante
Outras sejam as mãos a estreitar-me os flancos
E outros sejam os lábios a percorrer-me a espinha
Outras anedotas,
Outras pagas idiotas
Outros sonhos que não quero crer


Anto 27-05-08

Esfinge

Esfinge


Qual Esfinge está solta ao mundo
A dizimar homens, mulheres e crianças
Do ser vivente não se compadece
Desgraçando igualmente animais e plantas

Impondo medo, revolta e pânico
Urge um herói de grande intelecto
Espera-se venha ele a deslindar
A resposta do tal enigma secreto

Quem primeiro usa quatro pernas
E na seqüencia se equilibra em duas
Tempo depois utiliza três membros
Para locomover-se através das ruas ?

E apresentou-se um Édipo, rei de coragem
Com maestria e metafórica sapiência
Pôs intrincado pensamento à margem
Se atendo ao singelo observar da ciência

A questão se responde pelo Homem
Que em rebento está a andar de gatinhas
Em duas pernas se equilibra quando jovem
E o idoso em três, com o bastão caminha

Vencida, a Esfinge reconheceu a grandeza
Daquele homem que honrava a realeza
Jogou-se o monstro no abismo da tebana cidade
Recobrando pois o povo a total tranquilidade.

E assim termina essa incrível lenda poética
De um Édipo que pecou com a mãe Jocasta
Matara o pai, sem saber que ele assim o era
Alcançando o reinado em razão dessa lástima

Fôra culpada a Esfinge ao infligir o dilema
Impondo ao herói essa grande tragédia
Reino e rainha, em troca da adivinha
A vitória fez de Édipo rei por estratégia.

Anto 04-05-06

Sangria

Sangria

Foi-se o viço da face mais rosada
Que já ia não se sabe por qual via
Rastro rubro tal e qual bela granada
A esvair-se na mais pura das sangrias

Lamacento é o verão após a chuva
Respingando todo o lodo da restinga
Rosto oculto, chama viva não confunda
Desfigurada a narração da ladainha

Agridoce é o sabor de todo o amor
A doçura do encanto em anomalia
Verso limpo não existe nessa dor
Oriunda da pureza da poesia.


Anto 25-04-06

A Estrela

A Estrela



Viva luminescência que traspassa o vácuo infinito
E nos chega o véu celeste, rasgando a negra noite
Os olhos que a tudo vêem dão dizer restrito, aflito
Divisam apenas a luz que se aquieta ao horizonte

De tão amarga, está a Estrela a indagar aos astros
Quantos anos-luz a separam do seu negro abismo
Sente-se perdida no oceano, como velas sem mastros
Estática, como as Plêiades desenhadas em grafismos

Retilíneo e silente é o facho ininterrupto emitido
A distância é mera lacuna de tempo no espaço
Estão os humanos a olvidar de fatos ocorridos
Como a Estrela, aguardando a quietude do regaço.

Anto 29-05-06