terça-feira, 5 de maio de 2009

Gente inconveniente


Gente inconveniente

Pior que os malucos são os inconvenientes.
Meu testemunho? Ah, são muitos…
Como de costume não darei nome aos bois. Se bem que certos indivíduos mereceriam uma boa chamada na chincha, daquelas de ficar pequenininho de vergonha.
Às vezes me questiono que graça teria a vida, não fossem esses seres inconvenientes a nos tirar do sério? Nenhuma, pois quase todo mundo gosta de contar suas desventuras aos amigos, para que eles riam delas junto a nós mesmos. Piada com nome e sobrenome é muito mais legal de escutar.
O já imortalizado BP neste blog é um deles. Melhor dizendo, ele cumula os dois titulos simultanamente. Mero detalhe, vi-o novamente há dois dias, todo empertigado e lançando o manjado olhar 43 para as pernas da praça de alimentação do shopping.
O cara transformou-se no meu “Personal Reflex-Tester Tabajara”, já que tenho que acionar meus impulsos para mudança de direção automática todas as vezes que estou prestes a dar de cara com o figura. Haja adrenalina viu!
Lembro-me daquele vizinho que tarde da noite toca a campainha para pedir um pouco de ração para o bicho de estimação. Inconformado com a negativa (claro, você não tem um bicho de estimação, ao menos não um daquela mesma espécie que a dele e ele sabe muito bem disso), aproveita ligeiro o ensejo:
“ – Ah, é verdade… então me empresta 50 paus?”
Cara, já passei por isso e, acredite, nessas horas é preciso muito sangue frio para dar aquela resposta certeira, sem dó nem piedade:
“ – Me desculpe, vizinho, mas não costumo ter dinheiro sobrando na carteira.”
Uhu! Você conseguiu!
Mas não pense que o cara vai corar as bochechas de vergonha. Pra despistar pede um copo d’água e, ao virar-se para pegá-lo, você ainda sente dois olhos invasivos escaneando todo o ambiente por cima do seu ombro.
Meu Deus! Será que ele viu as moedas jogadas dentro da fruteira?
Então…
Posso dizer que passei alguns recreios da minha vida escondida no banheiro do colégio.
Se aquelas parades falassem contariam toda a minha aflição diária.
Ao menor toque do sinal já estava eu voando pelo corredor para me esconder de um tal que dizia “estar a fim” de mim. E o banheiro feminino era o único local onde ele não tinha acesso e eu me sentia relativamente segura, embora o tal às vezes ficasse de plantão na porta, esperando eu sair. Mas aí tinha a desculpa de ter de voltar para a sala de aula e, ainda bem, ele não estava na minha.
Como fugi daquele menino, coitado dele… Não! Coitada de mim que além de perder os intervalos ainda tinha que aguentar ser zoada por todo mundo, pois o bicho era feio de dar medo.
Os brutos também amam, eu sei. Mas prefiro que amem a outras.
Isso me faz lembrar da frase que minha filha apontou no vidro traseiro de uma Kombi hoje cedo: “Quem gosta de mulher feia é salão de beleza”. Acrescento: cirurgião plástico também.
Acho que esses inventores de frases de caminhão e afins deveriam participar do “O Aprendiz”. Já pensou, concorrer a uma vaga de Diretor de Criação para as campanhas publicitárias do Justus?
Sei que às vezes sou má e nessas ocasiões me aproprio completamente daquela pérola imortalizada por Mae West: “Quando sou boa, sou muito boa, mas quando sou má sou melhor ainda.”
Esse dualismo é muito saudável na minha opinião, pois nos afasta da condição de bananas.
Procuro exercitar toda a paciência do mundo, já que paciência é uma virtude e quero em minha vida ser uma pessoa virtuosa. Sei que isto vale pontos no acerto de contas definitivo, mas é bom que saibam, aqui dentro mora um Mr. Hyde.
Fosse fácil lutar contra ele, eu lutaria. Mas esse Mr. Hyde é um cara inteligente e quase sempre me convence com seus argumentos.
Ele sempre surge nas horas conflituosas de discussões entre a razão e a emoção e com propriedade lança sua sentença, quase sempre baseada nos princípios do “olho por olho, dente por dente” – o que a meu ver é até muito justo.
Vejam só como isto funciona por todo o Oriente Médio desde os tempos babilônicos até os dias de hoje. E há larápios nas imediações? Se há, certamente serão manetas, prova de que o Código de Hamurabi nunca esteve tão na vanguarda.
O último trecho trata de seres alados, que estão por toda a parte. Não, definitivamente não são pássaros, borboletas ou anjos, mas sim insetos.
Já tomou picada de mutuca?
Nossa, isso dói… além de transmitir doenças, claro. Pra quem não conhece o termo, mutuca designa uma das dezenas de espécies de moscas, uma que particularmente persegue animais de sangue quente, dentre eles, nós humanos. Não adianta espantar, sair correndo, gritar com ela, sapatear. A bicha é obstinada e quando está querendo se alimentar não dá trégua, até encontrar um cheiro que a agrade mais.
Bom, não vamos entrar em detalhes biológicos pois moscas são nojentas, na minha opinião. Mas aí entra o conflito, embora inconvenientíssimas, são necessárias pois são também agentes que ajudam na decomposição de matéria orgânico-animal.
É aí que Mr. Hyde apareceria para encerrar o dilema:
“ – Mata! Esmaga! Trucida! Põe fim a esse degrau da cadeia alimentar.”
Opa, assim não dá Mr. Hyde! Matar moscas configura crime ambiental e não sou de agir na ilegalidade.
Mas pensando bem, vamos colocar no condicional: Não sou de agir na ilegalidade, desde que, elas lá e eu cá.
E fim de papo!


Anto 05/05/09

terça-feira, 28 de abril de 2009

Belas pernas - sempre alerta


Belas pernas – sempre alerta

Com toda a certeza, ser pára-raio de malucos é uma sina. Alguns têm esse dom, ou melhor, azar e isso coloca em pauta o tal do poder de atração tão propagado por diversos autores, recentemente.
Esses caras instituiram um modismo através de releituras romanceadas de teorias sobre a energia do pensamento, misturada à religiosidade e outras forças sombrias que povoam o imaginário humano.
A receita deu certo (cifrõe$) e as fórmulas transformadas em livros, dvd’s e até pílulas, imagino, estão ao alcance de todos os mortais em livrarias, super-mercados, bancas de jornais e lojas de conveniência.
Acho sim que existe algum fundamento já que a fé é um instrumento poderoso tanto para as conquistas humanas quanto para as mundanas.
Mas apenas alguns escolhidos conseguem resposta positiva a seus apelos, o que me leva a supor que o fator sorte é bem mais influente neste mecanismo de atingir os objetivos do que qualquer outro como a força de vontade, o sacrificio pessoal, o estudo, etc.
O injusto é que a maioria dos que têm merecimento não são agraciados com a sorte, mas enfim, isto faz parte dos “mistérios da fé”.
Em outras lições de vida, aprendi que não se deve iniciar uma frase com o advérbio de negação para não afetar o subconsciente. Mesmo consciente de que é intangivel alguma coisa ou impossivel de se realizar uma tarefa, nunca podemos dizer “não posso” logo de cara. O certo seria, “vou conseguir, mas se não conseguir vou tentar novamente”. Ou algo do tipo, ou seja, uma mensagem mais positivista que teoricamente deveria afastar pré-derrotismos.
Recentemente, encontrei aquele fulano ao qual apelidamos “belas pernas” por conta de sua admiração pelas ditas cujas de propriedade de minha amiga. Encontrei, diga-se de passagem, por duas vezes no intervalo de uma semana. Três vezes no intervalo de um mês.
E vai saber quantas mais estive bem perto dele sem saber.
Não existem aqueles sujeitos denominados “ratos de praia”? Pois bem, este aí é o típico “rato de shopping” se é que existe o termo.
Obviamente encontrei e fingi que não vi. Mas observei como quem observa um espécime exótico. Ah, sim, o cara é pra lá de exótico, digno de avaliação comportamental.
Similar a um camaleão, sempre imóvel revirando os olhos para acompanhar o movimento das centenas de pernas que desfilam pelos corredores. Esse critério não é à toa. O predador escolhe os shoppings por serem locais onde por si só já existe uma pré-seleção do especime feminino.
De quebra, é um local fechado, onde a vitima pode ficar circulando por horas, distraída, totalmente vulnerável aos ataques certeiros deste que, até dar o bote, se confunde perfeitamente com uma das pilastras de sustentação do prédio.
A este tipo de encontro premeditado, onde o agente salta do nada e já começa botar banca entregando cartão de visitas dou o nome de azar.
Fato: o azar ronda por aí, na tentativa de envolver os desavisados em seus tentáculos pegajosos, no caso, as desavisadas que transitam pelos shoppings.
E não adianta blasfemar contra o destino.
É por isso que continuo a repetir o lema dos escoteiros “sempre alerta” e olha que às vezes até estando bem alerta o azar consegue enfiar o dedão na nossa sopa.

Anto 27/04/09

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Inferno astral II - a missão


Inferno astral II – a missão

Então tá, finalmente acabou.
Não que tenha sido tão horrivel. Apenas alguns percalços, algumas dúvidas, alguma irritação facilmente atribuivel à boa, velha e eventual tpm. E cá estou nos 42, a meu ver até que bem. Noves fora, o oftalmo deu-me a opção de escolher entre enxergar embaçadinho de longe e visualizar as letras de perto. Preferi a segunda opção, é claro, pois me dá a nitidez necessária para avaliar o que se passa em meu prato de comida. Pois é, agora sou uma mulher madura de verdade, daquelas que põe os óculos para ler a bula do remédio, o rótulo do creme antiidade, as letrinhas minúsculas dos contratos de prestação de serviços. Não que isso represente exatamente uma necessidade, mas é sempre bom saber os efeitos colaterais dos itens que permeiam nossa vida.
Bom, me resta apenas reclamar de algumas dores que insistem em se fazer presentes. Joelhos, costas e a inseparável dor de cabeça que me acompanha fielmente, conforme a orientação genética.
Ô Joana, às vezes me lembro de você e suas mandingas com o vinagre a livrar minha mãe das enxaquecas. Quisera eu tê-la por perto hoje em dia.
Mas não exageremos exageradamente.
Missão cumprida por enquanto, ainda tenho onze meses até o próximo inferno astral.
Até lá, quem sabe arrisco plantar uma árvore.

Anto 24/04/09

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Fiducia


Fiducia

Ecco il filo
Il filo della speranza
Una tela filata
Ordita
Lavorata con cura
Come tela da ragno
Cosi forte
Dal peso, l’appoggio
Cosi fragile quando vinta
Nel semplice diteggiare

In un soffio
Si va nelle strade del vento
Ad aspettare il tempo
Del riscatto
Si è che c’è tempo
Si è che c’è da riscattare


Anto 13/04/09

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Alforria


Alforria

Não me preocupo
Em olhar palavras
Em ver do que são feitas as tristezas
Nem sei como acontecem as proezas
Os saltos,
Os tombos,
Os devaneios

Cito as cores
Recordo as alegrias sem pudores
Os belos laços
A dissimular antigos nós
Dos quais desvencilhei-me um dia
Que dia!
O dia da alforria!

Sentei-me ao chão
Assim mesmo
Descalça,
Despida
Com a boca já meio partida
Enfim,
Gritar fazia o maior sentido

E aos pés
Restaram os grilhões como lembrança
A esperar germinasse a semente
Numa folha de verde, a esperança
Ainda que tarde
Mas sem falhar


Anto 31/03/09

Sombras


Sombras

A matéria porta a sombra
Mostrada pela chama
Ocupa veloz,
Velozmente
Um espaço no vazio
Ao acender de um pavio

Preenchidas de breu
Vão-se as figuras
Insanas
Obscuras
Nas suas viagens migratórias
Pelos arredores das almas
Em sumas esculturas

Ora, te acalmas
Não vale o desespero
Tampouco o destempero
Um reclamo
Ou qualquer ato insano
Pois que vão e vêm
As miragens
Despidas de paisagens
Apenas sombras
Apenas sobras

Anto 13/04/09

terça-feira, 31 de março de 2009

Semelhanças


Semelhanças

Era uma manhã, um tanto comum, quase decadente
Daquelas em que se espera muito pouco do dia
Um sono profundo, ao largo, uma cama vazia
Na fronha, lânguida imagem de um beijo caliente

Desorientada pela lembrança tão cara
Os ossos, queixosos, já se ressentem
No espaço que as longas horas desmentem
Os poucos minutos com os quais se depara

A tarde azul, gélida, em via transformada
Rende passos no correr do silencioso caminho
Trôpegos, incautos, ao incessante labor do vinho
Que inicia a travessia um tanto aparvalhada

Ah! Olhos revirados, como estão ao seu redor
Roendo-se, cada qual com uníssono pensar
O calor, um trago, em fartas vias resgatar
O feio e o insano se convertem em esplendor

E assim, meio alegres, recomeçam os instantes
No furor em que bocas se movem desconexas
Em conversas toscas, as frases mal complexas
Diferentes das nossas, não fossem tão semelhantes


Anto 12/06/08