terça-feira, 28 de abril de 2009

Belas pernas - sempre alerta


Belas pernas – sempre alerta

Com toda a certeza, ser pára-raio de malucos é uma sina. Alguns têm esse dom, ou melhor, azar e isso coloca em pauta o tal do poder de atração tão propagado por diversos autores, recentemente.
Esses caras instituiram um modismo através de releituras romanceadas de teorias sobre a energia do pensamento, misturada à religiosidade e outras forças sombrias que povoam o imaginário humano.
A receita deu certo (cifrõe$) e as fórmulas transformadas em livros, dvd’s e até pílulas, imagino, estão ao alcance de todos os mortais em livrarias, super-mercados, bancas de jornais e lojas de conveniência.
Acho sim que existe algum fundamento já que a fé é um instrumento poderoso tanto para as conquistas humanas quanto para as mundanas.
Mas apenas alguns escolhidos conseguem resposta positiva a seus apelos, o que me leva a supor que o fator sorte é bem mais influente neste mecanismo de atingir os objetivos do que qualquer outro como a força de vontade, o sacrificio pessoal, o estudo, etc.
O injusto é que a maioria dos que têm merecimento não são agraciados com a sorte, mas enfim, isto faz parte dos “mistérios da fé”.
Em outras lições de vida, aprendi que não se deve iniciar uma frase com o advérbio de negação para não afetar o subconsciente. Mesmo consciente de que é intangivel alguma coisa ou impossivel de se realizar uma tarefa, nunca podemos dizer “não posso” logo de cara. O certo seria, “vou conseguir, mas se não conseguir vou tentar novamente”. Ou algo do tipo, ou seja, uma mensagem mais positivista que teoricamente deveria afastar pré-derrotismos.
Recentemente, encontrei aquele fulano ao qual apelidamos “belas pernas” por conta de sua admiração pelas ditas cujas de propriedade de minha amiga. Encontrei, diga-se de passagem, por duas vezes no intervalo de uma semana. Três vezes no intervalo de um mês.
E vai saber quantas mais estive bem perto dele sem saber.
Não existem aqueles sujeitos denominados “ratos de praia”? Pois bem, este aí é o típico “rato de shopping” se é que existe o termo.
Obviamente encontrei e fingi que não vi. Mas observei como quem observa um espécime exótico. Ah, sim, o cara é pra lá de exótico, digno de avaliação comportamental.
Similar a um camaleão, sempre imóvel revirando os olhos para acompanhar o movimento das centenas de pernas que desfilam pelos corredores. Esse critério não é à toa. O predador escolhe os shoppings por serem locais onde por si só já existe uma pré-seleção do especime feminino.
De quebra, é um local fechado, onde a vitima pode ficar circulando por horas, distraída, totalmente vulnerável aos ataques certeiros deste que, até dar o bote, se confunde perfeitamente com uma das pilastras de sustentação do prédio.
A este tipo de encontro premeditado, onde o agente salta do nada e já começa botar banca entregando cartão de visitas dou o nome de azar.
Fato: o azar ronda por aí, na tentativa de envolver os desavisados em seus tentáculos pegajosos, no caso, as desavisadas que transitam pelos shoppings.
E não adianta blasfemar contra o destino.
É por isso que continuo a repetir o lema dos escoteiros “sempre alerta” e olha que às vezes até estando bem alerta o azar consegue enfiar o dedão na nossa sopa.

Anto 27/04/09

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Inferno astral II - a missão


Inferno astral II – a missão

Então tá, finalmente acabou.
Não que tenha sido tão horrivel. Apenas alguns percalços, algumas dúvidas, alguma irritação facilmente atribuivel à boa, velha e eventual tpm. E cá estou nos 42, a meu ver até que bem. Noves fora, o oftalmo deu-me a opção de escolher entre enxergar embaçadinho de longe e visualizar as letras de perto. Preferi a segunda opção, é claro, pois me dá a nitidez necessária para avaliar o que se passa em meu prato de comida. Pois é, agora sou uma mulher madura de verdade, daquelas que põe os óculos para ler a bula do remédio, o rótulo do creme antiidade, as letrinhas minúsculas dos contratos de prestação de serviços. Não que isso represente exatamente uma necessidade, mas é sempre bom saber os efeitos colaterais dos itens que permeiam nossa vida.
Bom, me resta apenas reclamar de algumas dores que insistem em se fazer presentes. Joelhos, costas e a inseparável dor de cabeça que me acompanha fielmente, conforme a orientação genética.
Ô Joana, às vezes me lembro de você e suas mandingas com o vinagre a livrar minha mãe das enxaquecas. Quisera eu tê-la por perto hoje em dia.
Mas não exageremos exageradamente.
Missão cumprida por enquanto, ainda tenho onze meses até o próximo inferno astral.
Até lá, quem sabe arrisco plantar uma árvore.

Anto 24/04/09

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Fiducia


Fiducia

Ecco il filo
Il filo della speranza
Una tela filata
Ordita
Lavorata con cura
Come tela da ragno
Cosi forte
Dal peso, l’appoggio
Cosi fragile quando vinta
Nel semplice diteggiare

In un soffio
Si va nelle strade del vento
Ad aspettare il tempo
Del riscatto
Si è che c’è tempo
Si è che c’è da riscattare


Anto 13/04/09

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Alforria


Alforria

Não me preocupo
Em olhar palavras
Em ver do que são feitas as tristezas
Nem sei como acontecem as proezas
Os saltos,
Os tombos,
Os devaneios

Cito as cores
Recordo as alegrias sem pudores
Os belos laços
A dissimular antigos nós
Dos quais desvencilhei-me um dia
Que dia!
O dia da alforria!

Sentei-me ao chão
Assim mesmo
Descalça,
Despida
Com a boca já meio partida
Enfim,
Gritar fazia o maior sentido

E aos pés
Restaram os grilhões como lembrança
A esperar germinasse a semente
Numa folha de verde, a esperança
Ainda que tarde
Mas sem falhar


Anto 31/03/09

Sombras


Sombras

A matéria porta a sombra
Mostrada pela chama
Ocupa veloz,
Velozmente
Um espaço no vazio
Ao acender de um pavio

Preenchidas de breu
Vão-se as figuras
Insanas
Obscuras
Nas suas viagens migratórias
Pelos arredores das almas
Em sumas esculturas

Ora, te acalmas
Não vale o desespero
Tampouco o destempero
Um reclamo
Ou qualquer ato insano
Pois que vão e vêm
As miragens
Despidas de paisagens
Apenas sombras
Apenas sobras

Anto 13/04/09

terça-feira, 31 de março de 2009

Semelhanças


Semelhanças

Era uma manhã, um tanto comum, quase decadente
Daquelas em que se espera muito pouco do dia
Um sono profundo, ao largo, uma cama vazia
Na fronha, lânguida imagem de um beijo caliente

Desorientada pela lembrança tão cara
Os ossos, queixosos, já se ressentem
No espaço que as longas horas desmentem
Os poucos minutos com os quais se depara

A tarde azul, gélida, em via transformada
Rende passos no correr do silencioso caminho
Trôpegos, incautos, ao incessante labor do vinho
Que inicia a travessia um tanto aparvalhada

Ah! Olhos revirados, como estão ao seu redor
Roendo-se, cada qual com uníssono pensar
O calor, um trago, em fartas vias resgatar
O feio e o insano se convertem em esplendor

E assim, meio alegres, recomeçam os instantes
No furor em que bocas se movem desconexas
Em conversas toscas, as frases mal complexas
Diferentes das nossas, não fossem tão semelhantes


Anto 12/06/08

quarta-feira, 25 de março de 2009

Inferno astral

Inferno astral

É uma vez por ano. Ufa! Ainda bem.
Calma. Não sou uma aficcionada por astrologia, daquelas que não sai de casa sem conferir o horóscopo. Aliás, mal sei as características do meu próprio signo, touro.
Vamos lá, taurinos são pessoas sensiveis, amantes de coisas belas, mantém os pés no chão, são sensuais por natureza e, acima de tudo, obstinados (sinônimo mais chique para a popular teimosia).
Mas uma coisa eu li e repito pois é a mais pura verdade: Nunca prometa algo a um taurino que não possa cumprir.
Isto seria assinar a própria sentença de morte. Obviamente não cheguemos ao extremo de achar que todo taurino é um psicopata, mas promessa não cumprida equivale a uma mentira e, por consequência, a mentira é uma espécie de traição – o que todo bom taurino não admite, assim como a maioria das pessoas dos 12 signos do zodíaco, imagino.
A propósito da modalidade astral, a palavra inferno remeteu-me a uma lembrança.
Hoje cedo, ao levar minha filha à escola contei-lhe um fato curioso.
Dia desses, no trânsito, reparei na placa de um carro que ia à nossa frente, 6666. Nossa! Ainda comentei com o Marcelo que jamais compraria um carro com essa numeração, quando me dei conta das letras LCF que a precediam.
Credoooo!
L(u) C(i) F(er)… Naquele momento, uma vibração sinistra, um final de tarde entre chuva, alagamentos e trovoadas, um carro cinzento com placas LCF 6666…
Virou a esquina, ainda bem!
Raciocinando friamente, é até uma excelente tática para evitar assaltos ou furtos. Esses meliantes costumam ser supersticiosos, ao avistarem a tal placa duvido que ousassem desafiar a chefia. A não ser que se tratasse de algum patife distraído, mas aí azar dele pois até para delinquir é preciso certa competência.
Tá ligado, mano?

- Mãe, o que quer dizer LCF?
- L de lu, C de ci e F de fer, portanto, lucífer.
- Quem é esse cara?
- Você não sabe? É o satanás, o demônio!
- Mãe, não diga isso tão alto. Assim você atrai.

E lembrei-me dela perguntando outro dia quem era satanás. Continuei:

- Então como você quer que eu diga?
- Diga só demo, bem baixinho.
- Não tem problema, a gente reza e se protege.
- Nossa, mas ele tem vários nomes, né?
- Claro, assim como Deus, vários nomes.

Outra estratégia bastante possível: esquivar-se de multas. De bobo o cara não tem nada. Por mais caxias que seja, estou pra ver amarelinho/marronzinho do CET aplicando multa no motorista do demo. Duvido! Acho que esse nem radar pega.
Mas voltemos ao inferno astral.
É um bom pretexto para atribuir culpas imateriais sobre coisas que dão errado durante esse período. Na verdade, matéria os astros têm de sobra e os físicos diriam massa para comprovar suas existências, ainda que estejam bem distante do nosso mundinho.
Acordar de mau humor seria culpa de quem, não fosse dos astros?
O arroz queimou na panela, o pneu furou, o computador pegou um vírus, a conta venceu, a chuva alagou a cidade mais uma vez… tudo por conta do capricho astral.
O único senão é a quem culpar quando finalmente nos libertamos desse inferno no dia seguinte ao nosso aniversário.
Então, por via das dúvidas, acho que vale um “vade retro satana”, pois como já diziam os sábios, melhor prevenir que remediar.
Amém!

Anto 25/03/09