sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Cerejeiras em flor


Cerejeiras em flor

De longe, pequenas e delicadas
As flores brancas e rosadas
Pousaram sobre esguios braços
Inúmeras, não deixaram espaço
E sequer tempo para um abraço
No encalce dos raios que iluminam
E as desabrocham para o mundo
Se aninham, coladas umas às outras
Exalando doce aroma, tão fecundo
Recebem com pétalas abertas
Toda sorte de seres vivos
Tantos beijos,
Os beijos que beijei
À sombra das cerejeiras em flor
Mostrando o lado vivo do amor
Olha-as, mas deixa-as ali
No descanso que as horas impingem
E antes que te apercebas
Logo estarão maduras as cerejas


Anto 27/07/08






quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

BOAS FESTAS!


Meus desejos sinceros :

Que os dissabores deste ano que passou inspirem a busca de soluções para os próximos dilemas.
Que as injustiças eventualmente impostas e aparentemente irreparáveis ensinem a dar tempo ao tempo, pois às vezes a melhor ação é a inação.
Que as pedras sejam roliças e saiam do caminho ao mais leve empurrão dos pés, com ou sem a ajuda de outros pés amigos.
Que as decepções provocadas não permeiem a desconfiança e a descrença no ser humano.
Que as alegrias se perpetuem, ou ainda se transformem para que se possa conhecer algo além do óbvio.
Que um sorriso influencie o bom humor e que um simples afago produza um grande abraço.
Que a saúde permaneça e seja contagiosa, tanto a física quanto a mental.
Que a fé cresça e se multiplique em flores e frutos.
Que 2009 seja um ano de aprendizados e conquistas !

Feliz Natal !!!





segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Meio-termo

Meio-termo

Hoje haveria eu de morrer feliz
Pois senti o sol aqui mais uma vez
A aquecer-me o corpo, corar-me a tez
Colorindo o dia com intensa matiz

Soubesses o que me está por um triz
Vir a baila nas horas de insensatez
Conter nos minutos o sim e o talvez
Na exata medida de uma bissetriz

Pergunto: Há alguém no extremo mais ermo?
Minha voz cala, procuro quieta o rebatido eco
Em penumbrentas sombras de um meio-termo

No apêndice que se move, em dias de mar agitado
Escurecendo o céu, na proporção de um caneco
Tão quente como o sol, a beber do café adocicado


Anto 04/06/08

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

O claro e o escuro


O claro e o escuro

A luz
Clara, a tímida luz da manhã
O sol entrando pela janela
Ofuscando os retratos
Os raios flagrados no topo da fotografia
Abençoando toda a feliz alegria
É como me sinto
Abençoada,
Luzidia…

O início de noite
No chão de paralelepípedos
E a pouca claridade
A esta altura já bem fria
Dava lugar ao estrelado céu
Onde a lua ao alto se fazia
Nem cheia,
Nem minguada,
E aparentemente nem vazia…
Apenas uma pálida e nua lua
Que de mim se comprazia
Em trajetória pela rua
Tão deserta
Tão desperta…

No jogo do claro e do escuro
Tenho a sorte de ambos
Pego carona nos sonhos
De doces manhãs adormecidas
E saio rodando pela cidade
Em longas noites recém-nascidas
Levo o peito aquecido,
Na verdade agradecido,
Preenchido…

Sol e lua,
Cada qual com o próprio brilho ao léu
Um no dia
Outro na noite
Sempre em movimento
Distantes, é verdade
Embora juntos,
E firmados no mesmo céu


Anto 08-12-08


terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Saudade


Saudade

É bela,
Vem ligeira
Me enche de vontade
De ver-te
Abraçar-te
De passar-te toda
Minha singela felicidade
É boa
É pura
Da puríssima verdade
É saudade
Que não tem idade
Ao bravio
E ao ser mais frio
O coração invade
Não morre
Sobrevive hibérnia
Latente
Camuflada em lembrança
No peito de quase criança
À espera de um sopro
Uma pequena chama
A chamá-la linda
E feliz saudade…



Anto 02/11/08





segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Morte da poesia

Morte da poesia

Quem dizia que havia
Num dado instante da vida
Perdido completamente a poesia?
O que ocorreu para que ela lhe fosse arrancada do coração
E arremessada no baú dos tesouros escondidos
Assim como se lança abruptamente
Uma amarga lembrança
Ou um alguém a quem já não nutrimos sequer simpatia?
A veia poética,
Quem a assassinou de uma hora para outra?
Quem disparou o gatilho
Desferindo certeiro tiro
No peito carregado de sentimentos ambiguos?
Quem matou a impetuosidade?
Quem desfigurou os versos?
Qual o crime cometido e o castigo imposto?
Se é que há castigo
Para o delito praticado em razão de si próprio,
Em legítima defesa do corpo que aprisiona a alma…
Não por acaso a fúria é feminina
A ira, idem
E a raiva também.
Assim como a bela inspiração
Que vem avassaladora
Tal como a inundação dos campos nas cheias
Ou a lava expelida pelo vulcão eruptivo
Ou a força desmedida de um tornado nas tardes quentes de verão.
Desastres da natureza.
Natureza selvagem, indomável
É assim que ela é.
Como o carma poético
O sofrer que gera palavras lindas
Mesmo que isso signifique o espicaçar da essência
E o dilacerar da existência
De quem transborda entusiasmo ao compor.
E quem entende essas palavras quase sem nenhum sentido,
Completamente incoerentes?
Quem as alcança são os puros, os excêntricos, os loucos,
Os bravios, os sonhadores, os afortunados de espírito leve,
Os singelos, os humildes, os incapazes de maledicências,
Os insubstituíveis, os únicos…
E a cadência, ela importa?
Não.
Não existe imposição para quem transborda em virtudes
E a virtude, in casu, não significa a moral
Mas o valor humano que existe nas entranhas do espírito
O preciosismo absoluto,
A determinação da luta.
E lutar para quê, se podemos nos entregar
À placidez doutrinal de quem nos diz o que se passa em nossos inquietos corações?
Você me entende?
Não deixe que sua poesia morra novamente.
Não a mate porque aceita a morte como um bálsamo que vem lhe trazer conforto.
Arranque seu coração doente, se preciso,
Porque você ainda tem um bom cérebro, dois perfeitos braços e pernas para o trabalho
Coloque no lugar do vazio em seu peito aquela rosa guarnecida de espinhos
Que você guarda dentro do baú, aquele dos tesouros escondidos.
A gentil rosa será doravante o motor de suas conquistas
Pulsando agilmente para lembrar-lhe que a vida continua
Apesar da morte da poesia
E isso não tem a menor importância
Já que ela é como a Fenix ressurgindo das cinzas
Lembrando que cada dia é diferente e fantástico
E você, cada dia melhor.


Fev.2006

O sofisma

O Sofisma



Doces palavras captam meus ouvidos
Viciados já com elogios e deleites
Que deixam corado o semblante ardido
E bela a expressão, coberta de enfeites

Sofri com isso muitos tolos prejuízos
Aguardando verdades incoerentes
Aparentei insanidade, falta de juízo
Porquanto errava, sofismavelmente

Empurrei a má-sorte para outro lugar
A busca iniciando ao total reverter
Nos versos expliquei a rima matar
Que é o contraposto do verbo morrer

Estamos todos muito necessitados
Saber exatamente de quê somos feitos
Carne e osso, somos assim revelados
Só não exibimos tão bem os defeitos

Por isso o sofisma, opino modestamente
Está bem distante do poder do coração
Ludibriando com o raciocínio demente
Empreendemos assim certa tapeação

Não somos o que na realidade aparentamos
Querendo sempre a todos impressionar
Volta e meia uns aos outros sofismamos
Ou engendramos como fazer a sofismar


Anto 06/09/06