terça-feira, 29 de setembro de 2009

Páginas


Páginas


Estas são as páginas coloridas do meu caderno em branco
Por onde se precipitam jocosas as letras
E dançam as palavras num silente vadiando

Lambidas as orelhas
Com o volver afoito das alvas folhas
Inevitáveis as dobras marcadas
Violando a pureza
Assinalando os versos que escrevi
E que ainda não havias lido

Dois olhos apenas
Teus semicírculos silentes
A embargar, na beirada de um canto
As páginas que insistem em volta amena

Se amarrotam aos poucos, descompostas
Com os ombros nus e os seios à mostra
Já encardidas
Ao final de leitura
Suave,
Serena dobradura


Anto 24/09/09








domingo, 26 de julho de 2009

Sem perder a pose


Sem perder a pose

Tem gente orgulhosa de proclamar que roda a baiana. Ah, mas estas pessoas são unânimes em afirmar que isto só acontece quando por algum motivo são tiradas do sério. Como se sair do sério fosse a justificativa mais justa (desculpem o inevitável pleonasmo) para os atos insanos que permeariam a tal “roda das baianas”.
A propósito, não sei o que uma coisa tem a ver com a outra. Sempre imaginei uma roda de baianas formada por aquelas gordas e negras senhoras, usando seus trajes branquíssimos, saias rodadas e armadas por camadas e mais camadas de tule, seios fartos saltitando felizes pelos babados dos decotes, a moldura do sorriso franco com o passe-partout dos dentes lindamente perolados, colares de miçangas e patuás, cabelos cuidadosamente escondidos sob os turbantes e as bandejas com acarajé, cocada e outras delícias provenientes de seus tachos e colheres de pau. Tudo na maior tranquilidade.
Será que alguém já as viu se degladiando, dando golpes de capoeira, atirando vatapás e carurus umas contra as outras e resolveu que “rodar a baiana” seria sinônimo de surtos de qualquer ordem?
Vai saber…
Bom e já que uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa, quase esqueci a que vim.
Típico das mentes fervilhantes de possibilidades. Será este um sério problema?
Não vejo assim, ultimamente ser humano é que é um grave problema. O mais simples hábito, a mais inofensiva mania tem toda uma interpretação psicológica própria.
Se você toma banho uma vez por dia será taxado fisicamente de porco. Em análise psíquica poderia ser considerado depressivo, ou borderline (no limite, está na moda), ou bipolar (também tem seus adeptos). O curioso é que ninguém está interessado em saber se você resolveu fazer a sua parte para economizar a água do planeta. Aliás, se tomou essa resolução com toda a probabilidade será diagnosticado simplesmente louco.
Continuando, se faz três ou mais banhos por dia, tem TOC (transtorno obsessivo-compulsivo) e é um FDP (sem necessidade de tradução) pois não está nem aí para a extinção dos recursos hídricos naturais do planeta (!) Hum… quem é o louco mesmo?
É por isso que no Brasil foi instituído o número de dois saudáveis banhos ao dia para a maioria da população. Tudo na mais perfeita ordem e progresso. De outro lado, a França continua produzindo os melhores perfumes…
Opa, já me perdi novamente!
Diria que as aparências enganam mesmo. Aquela mocinha de suaves contornos, carinha angelical, cheirosa, carinhosa, de repente pode dar um grito estridente ao seu lado, chamando alguém para pedir uma informação.
Um misto de desagradável surpresa, uma cara de decepção, um indefectível desgosto na alma… e o pensamento fatal de que se isto se repetir será o fim dos tempos. Para ela, naturalmente.
Autocontrole, este é o segredo para não perder a pose.
Devemos ter em mente que estamos sendo observados todo o tempo. É por isto que rodar a baiana não pega nada bem em algumas situações.
Lembrei da Xuxa. Dizem as más linguas que a loira beliscava seus baixinhos durante as gravações dos programas. Imagino a cena, vários endiabrados mirins atormentando a moça que aparece pelada na revista do papai. Meio que “pedindo para apanhar”, os pestinhas acabavam levando estratégicos beliscões. Doía, mas era bom, afinal quem beliscava era uma gostosa que usava micro-saia e botas brancas de salto alto, a qual não posso deixar de imaginar ter inspirado muitos dóceis frequentadores do underground erotopático.
Bom, ela ao menos tentou ficar na moita, mas a intriga da oposição (ah, aqueles seres invejosos e perversos do universo televisivo) trataram de divulgar o controle estratégico aos participantezinhos do programa. E apesar dos pesares, a enxuta senhora resiste até hoje nas telinhas.
Outro jeito de não perder a pose é assumir a forma de madeira. Isso mesmo, os caras-de-pau são mestres nessa arte.
Quando o assunto é polêmico e você não tem coragem de admitir publicamente que já fez exatamente aquilo que está sendo criticado (claro, ninguém quer ser objeto de piada nas rodas de amigos), é bom que comece a recitar mentalmente um mantra para manter as feições inalteradas, com absoluta cara de paisagem. Para ser mais convincente, faça movimentos de concordância com a cabeça, dessa forma as suspeitas recairão sobre o amigo ao seu lado que ficou paralisado e vermelho como um perú assado, o qual estará pensando: “PQP, sei que não estão falando de mim, afinal não faço xixi na calça. Mas então porque raios estou pegando fogo?”
E você, que passou a última noite de São João enchendo a lata de quentão e saltando a fogueira iá-iá/pulando a fogueira iô-iô estará livre de qualquer suspeita.
Como diria Lobão, decadence avec elegance. Mas sem jamais perder a pose, sacou?

Anto 26/07/09


segunda-feira, 20 de julho de 2009

Os segredos da (aceitável) convivência com as fãs


Os segredos da (aceitável) convivência com as fãs.

Dia destes, entre um café e outro e conversas mais que animadas, resolveram lançar na roda um tema polêmico: a arte de conviver entre os seres humanos.

Como é dificil às vezes ter que agradar a gregos e troianos. Obviamente, não podemos simplesmente viver em função dos outros, sejam eles nossos filhos, companheiros ou mesmo os amigos, por vezes espaçosos demais. Mas o fato é que pessoas normais tendem a querer o bem de seus entes e a vê-los felizes, não raro desdobrando-se para tal.

Comigo não é diferente e acredito que com você também não.

Foi quando uma amiga, que já namorou um músico surgiu com o seguinte discurso para justificar o recente rompimento: “Ah, a gente aguenta tudo, mas não dá pra aturar aquelas fãs se jogando em cima do seu amado.”

É claro que essa declaração denota uma réstia de insegurança, mas por razões óbvias não pude deixar de imaginar como é estar em seu lugar.

Fiquei pensando cá com meus botões porque é que as fãs agem assim, “se jogando” e cheguei a algumas conclusões.

1- Fã é como se fosse uma profissão. Ela veste e sua a camisa e portanto se sente com todos os direitos do mundo sobre o ídolo.
2- Fã não quer saber se o ídolo é comprometido ou não, afinal ela está muito além de qualquer nomenclatura sócio/pessoal.
3- Fã se considera a única. É o momento que tem para sentir-se especial e não vai abrir mão dele jamais.
4- Fã sabe que o ídolo precisa dela para existir e para que ela própria coexista.
5- Fã é fiel, segue o ídolo por onde ele estiver.
6- Fã sonha e faz conjecturas hipotéticas a respeito do ídolo, na esperança de que ele um dia a veja com outros olhos.
7- Fã precisa ter um canal de comunicação direto com o ídolo e ela sempre dá um jeito de conseguir.
8- Fã tem o maior orgulho de ser fã e vai dizer de boca cheia para o mundo que é amigona do ídolo.

Como minha amiga não se convenceu da simplicidade da coisa, resolvi mostrar-lhe o outro lado, ou seja, o lado bom que as fãs proporcionam.

1- Fã é como termômetro, quanto mais delas, melhor o ídolo.
2- Fã trabalha de graça, ela não se importa em cuidar da divulgação da agenda, da assessoria e do marketing do ídolo.
3- Fã quer mostrar ao seu rol de amigos como o ídolo é maravilhoso, dessa forma garantindo a agremiação de novas fãs.
4- Fã nem se dá conta de como é boa, afinal os ítens anteriores ajudam a engordar a conta bancária do ídolo pra que ele gaste tudo adivinha com quem?

Conselho valioso para as amigas que (ainda) têm um amado músico/ator/atleta: Cuide bem das fãs de seu querido. Sem elas a vida de vocês dois seria muito monótona. E pobre!

Anto 20/07/09

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Limites

Outro dia, em certa reunião da escola, recebi um folheto contendo um texto. Na hora não li, preocupada que estava em conversar com todos os professores, muito embora soubesse não ter de ouvir deles grandes reclamações, nem por notas, nem por comportamento.
Mas enfim, mãe é mãe e a-do-ra ficar por dentro do mundo dos filhos, especialmente quando estes nos aguçam a curiosidade afirmando que não precisamos ir a reunião nenhuma. Hummmm... aí tem...
Mas não tinha não, ufa! Pelo menos no meu caso.
Voltando à vaca-fria, como diria minha amiga Belas Pernas, fui ler o tal texto somente dias depois e, para minha surpresa deparei com um assunto que gosto muito, um paralelo de gerações.
Bacana mesmo poder identificar situações que ocorreram e ocorrem hoje em dia e já posso dizer "no meu tempo" porque atingi o patamar da maturidade (eba!). Basta dizer que sou da época do LP e das fitas cassete, da máquina de escrever, do mimeógrafo e do telefone discado.
Nada de notebooks, iphones e toda a nano-parafernália que consiste a tecnologia digital, atualizada semanalmente com produtos cada vez melhores, menores, mais cheios de recursos, mais rápidos.
Então voltemos ao texto e boa leitura.
“Limites

Somos as primeiras gerações de pais decididos a não repetir com os filhos os erros de nossos progenitores e com o esforço de abolirmos os abusos do passado.
Somos pais mais dedicados e compreensivos, mas por outro lado, os mais bobos e inseguros que já houve na história.
O grave é que estamos lidando com crianças mais “espertas” do que nós, ousadas, e mais “poderosas” que nunca!
Parece que, em nossa tentativa de sermos os pais que queriamos ser, passamos de um extremo ao outro.
Assim, somos a última geração de filhos que obedeceram a seus pais…
Os últimos que tivemos medo dos pais…
… e os primeiros que tememos os filhos.
Os últimos que cresceram sob o mando dos pais…
… e os primeiros que vivem sob o jugo dos filhos.
E, o que é pior…
… os últimos que respeitamos nossos pais… (às vezes sem escolhas…)
… e os primeiros que aceitamos que nossos filhos nos faltem com respeito.
À medida que o permissível substituiu o autoritarismo, os termos das relações familiares mudou de forma radical…
… para o bem e para o mal.
Com efeito, antes considerava-se um bom pai aquele cujos filhos se comportavam bem, obedeciam suas ordens, e os tratavam com o devido respeito.
E bons filhos, as crianças que eram formais, e veneravam seus pais, mas à medida em que as fronteiras hierárquicas entre nós e nossos filhos foram se desvanescendo…
… hoje, os bons pais são aqueles que conseguem que seus filhos os amem, ainda que pouco os respeitem.
E são os filhos quem agora esperam respeito dos pais, pretendendo de tal maneira que respeitem suas idéias, seus gostos, suas preferências e sua forma de agir e viver.
E que além disso, que patrocinem no que necessitarem para tal fim.
Quer dizer, os papéis se inverteram.
Agora são os pais que têm que agradar a seus filhos para “ganhá-los” e não o inverso como no passado.
Isto explica o esforço que fazem tantos pais e mães para serem os melhores amigos e “darem tudo” a seus filhos.
Dizem que os extremos se atraem.
Se o autoritarismo do passado encheu os filhos de medo de seus pais…
… a debilidade do presente os preenche de medo e menosprezo… aos que nos verem tão débeis e perdidos como eles.
Os filhos precisam perceber que durante a infância, estamos à frente de suas vidas, como líderes capazes de sujeitá-los quando não os podemos conter…
… e de guiá-los enquanto não sabem para onde vão…
É assim que evitaremos que as novas gerações se afoguem no descontrole e tédio no qual está afundando uma sociedade que parece ir à deriva, sem parâmetros nem destino.
Se o autoritarismo suplanta, o permissível sufoca.
Apenas uma atitude firme, respeitosa, lhes permitirá confiar em nossa idoneidade para governar suas vidas enquanto forem menores, porque vamos à frente liderando-os…
… e não atrás, carregando-os e rendidos às suas “vontades”.
Os limites abrigam o indivíduo com amor ilimitado e profundo respeito.”

(Autor desconhecido)

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Meu mundo


Meu mundo

O que há no meu mundo?

Os arbustos
As árvores
Os galhos
As tramas das folhagens
Um totem destoando da paisagem

Um vazio
Um homem à espreita no tempo
Será meu melhor argumento
Para as horas
Poucas horas…

Uma voz
Um calo nas cordas vocais
A impedir vocalizar afinado
Límpido
Sem pressa

O feixe de luz
A cingir os ares
Com sua flecha incendiária

Uma mortalha
O pincel esfumaçando a vaidade

Um vício
Um lamento
A propriedade de quem não se esconde
Na verdade
No medo
Na dor

Os melancólicos dias que parecem não ter fim
Um fim
Um recomeço
Um mim ao qual não pertenço
Nem pareço

Meu mundo mundano
A sensação de entrar pelo cano
Todos os dias, um engano…
Quem sabe?



Anto 15/04/09


segunda-feira, 11 de maio de 2009

Páginas


Páginas

O som do rabisco a riscar o branco
Rec-rec-rec….
No entanto,
Quase não se ouve mais.
No lugar,
Tec-tec-tec…
Nem o lamber do dedo a dizer
Nem o suave farfalhar a falar…
É como escrevo hoje
Dedilhando apressada as letras no vazio
Na tentativa de dar nexo às palavras
De dar corpo aos pensamentos antes que fujam
Ou se finjam…
Estes, que os olhos percebem
Insanos,
Profanos,
Humanos…
Quiçá venha o dia
Em que as páginas sejam obra de museu
E os textos
Um breve ser e estar
Um laço,
Uma ponte
No branco meu que já foi teu


Anto 09/05/09

terça-feira, 5 de maio de 2009

Gente inconveniente


Gente inconveniente

Pior que os malucos são os inconvenientes.
Meu testemunho? Ah, são muitos…
Como de costume não darei nome aos bois. Se bem que certos indivíduos mereceriam uma boa chamada na chincha, daquelas de ficar pequenininho de vergonha.
Às vezes me questiono que graça teria a vida, não fossem esses seres inconvenientes a nos tirar do sério? Nenhuma, pois quase todo mundo gosta de contar suas desventuras aos amigos, para que eles riam delas junto a nós mesmos. Piada com nome e sobrenome é muito mais legal de escutar.
O já imortalizado BP neste blog é um deles. Melhor dizendo, ele cumula os dois titulos simultanamente. Mero detalhe, vi-o novamente há dois dias, todo empertigado e lançando o manjado olhar 43 para as pernas da praça de alimentação do shopping.
O cara transformou-se no meu “Personal Reflex-Tester Tabajara”, já que tenho que acionar meus impulsos para mudança de direção automática todas as vezes que estou prestes a dar de cara com o figura. Haja adrenalina viu!
Lembro-me daquele vizinho que tarde da noite toca a campainha para pedir um pouco de ração para o bicho de estimação. Inconformado com a negativa (claro, você não tem um bicho de estimação, ao menos não um daquela mesma espécie que a dele e ele sabe muito bem disso), aproveita ligeiro o ensejo:
“ – Ah, é verdade… então me empresta 50 paus?”
Cara, já passei por isso e, acredite, nessas horas é preciso muito sangue frio para dar aquela resposta certeira, sem dó nem piedade:
“ – Me desculpe, vizinho, mas não costumo ter dinheiro sobrando na carteira.”
Uhu! Você conseguiu!
Mas não pense que o cara vai corar as bochechas de vergonha. Pra despistar pede um copo d’água e, ao virar-se para pegá-lo, você ainda sente dois olhos invasivos escaneando todo o ambiente por cima do seu ombro.
Meu Deus! Será que ele viu as moedas jogadas dentro da fruteira?
Então…
Posso dizer que passei alguns recreios da minha vida escondida no banheiro do colégio.
Se aquelas parades falassem contariam toda a minha aflição diária.
Ao menor toque do sinal já estava eu voando pelo corredor para me esconder de um tal que dizia “estar a fim” de mim. E o banheiro feminino era o único local onde ele não tinha acesso e eu me sentia relativamente segura, embora o tal às vezes ficasse de plantão na porta, esperando eu sair. Mas aí tinha a desculpa de ter de voltar para a sala de aula e, ainda bem, ele não estava na minha.
Como fugi daquele menino, coitado dele… Não! Coitada de mim que além de perder os intervalos ainda tinha que aguentar ser zoada por todo mundo, pois o bicho era feio de dar medo.
Os brutos também amam, eu sei. Mas prefiro que amem a outras.
Isso me faz lembrar da frase que minha filha apontou no vidro traseiro de uma Kombi hoje cedo: “Quem gosta de mulher feia é salão de beleza”. Acrescento: cirurgião plástico também.
Acho que esses inventores de frases de caminhão e afins deveriam participar do “O Aprendiz”. Já pensou, concorrer a uma vaga de Diretor de Criação para as campanhas publicitárias do Justus?
Sei que às vezes sou má e nessas ocasiões me aproprio completamente daquela pérola imortalizada por Mae West: “Quando sou boa, sou muito boa, mas quando sou má sou melhor ainda.”
Esse dualismo é muito saudável na minha opinião, pois nos afasta da condição de bananas.
Procuro exercitar toda a paciência do mundo, já que paciência é uma virtude e quero em minha vida ser uma pessoa virtuosa. Sei que isto vale pontos no acerto de contas definitivo, mas é bom que saibam, aqui dentro mora um Mr. Hyde.
Fosse fácil lutar contra ele, eu lutaria. Mas esse Mr. Hyde é um cara inteligente e quase sempre me convence com seus argumentos.
Ele sempre surge nas horas conflituosas de discussões entre a razão e a emoção e com propriedade lança sua sentença, quase sempre baseada nos princípios do “olho por olho, dente por dente” – o que a meu ver é até muito justo.
Vejam só como isto funciona por todo o Oriente Médio desde os tempos babilônicos até os dias de hoje. E há larápios nas imediações? Se há, certamente serão manetas, prova de que o Código de Hamurabi nunca esteve tão na vanguarda.
O último trecho trata de seres alados, que estão por toda a parte. Não, definitivamente não são pássaros, borboletas ou anjos, mas sim insetos.
Já tomou picada de mutuca?
Nossa, isso dói… além de transmitir doenças, claro. Pra quem não conhece o termo, mutuca designa uma das dezenas de espécies de moscas, uma que particularmente persegue animais de sangue quente, dentre eles, nós humanos. Não adianta espantar, sair correndo, gritar com ela, sapatear. A bicha é obstinada e quando está querendo se alimentar não dá trégua, até encontrar um cheiro que a agrade mais.
Bom, não vamos entrar em detalhes biológicos pois moscas são nojentas, na minha opinião. Mas aí entra o conflito, embora inconvenientíssimas, são necessárias pois são também agentes que ajudam na decomposição de matéria orgânico-animal.
É aí que Mr. Hyde apareceria para encerrar o dilema:
“ – Mata! Esmaga! Trucida! Põe fim a esse degrau da cadeia alimentar.”
Opa, assim não dá Mr. Hyde! Matar moscas configura crime ambiental e não sou de agir na ilegalidade.
Mas pensando bem, vamos colocar no condicional: Não sou de agir na ilegalidade, desde que, elas lá e eu cá.
E fim de papo!


Anto 05/05/09