quarta-feira, 14 de julho de 2010

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"Ando meio desligada
Eu nem sinto
Meus pés no chão..."

Cantarolei a canção desde ontem quando saí da aula de karate.
Sim, após um longo período afastada das atividades físicas, comecei a praticar karate e fora a fedentina dos vários chulés (nem tudo é perfeito, mas a gente se acostuma), estou adorando!
Resolução tardia de Ano Novo.
Noite chuvosa, o guarda-chuva aberto, mochilinha nas costas, depois de muitos KIAIs (ai que delícia mandar um KIAAAAIII a cada golpe, é tão... reconfortante...) e de perder alguns gramas e toxinas com o suor, resolvi entrar no super-mercado ali bem no caminho.
Peguei um cestinho, escolhi peras, escolhi gengibre, escolhi tomates, escolhi mexericas, escolhi um pé de alface... bom, o cestinho já estava bem pesado quando me dei conta de um detalhe: a carteira não estava na mochila.
Ainda bem não cheguei a passar a compra no caixa antes de fazer a constatação. Significa que ainda há um lampejo de sanidade.
Comecei a rasgar os saquinhos e recoloquei cada item em seu lugar. Tudo isto sob os olhares desconfiados dos clientes que pela expressão pareciam esperar que eu tirasse um facão da mochila a qualquer momento.
Abri novamente o guarda-chuva e peguei o caminho de volta na noite chuvosa, com os Mutantes na cabeça.

"Olho e não vejo nada
Eu só penso
Se você me quer..."

Adoro essa música!

Anto jul/10


quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Boas Festas!



Acabou 2009, cheio de esperanças que relocamos para 2010.

Vivemos 12 meses tentando cumprir nossas metas e promessas. Algumas cumprimos de fato, outras nem tanto e inúmeras, acabamos colocando de lado.

As desavisadas oportunidades, por sorte conseguimos agarrar no instante em que passavam ao nosso lado, ou simplesmente deixamos escapar porque estávamos ocupados com coisas que julgávamos importantes.

Algumas vitórias, algumas derrotas, outras tantas tristezas e felicidades efêmeras. Tudo isto contribuiu para a dinâmica de nosso 2009.

O NATAL já não tem o mesmo brilho de quando éramos crianças. Mesmo com os milhões de reais gastos nas decorações de ruas e centros comerciais.

O PAPAI NOEL está onipresente em cada shopping da cidade. Figurinha fácil em tempos cada vez mais difíceis.

O MENINO JESUS é cada vez menos lembrado. Pudera, quase não temos tempo entre uma compra e outra. Quem se arriscaria a pensar no aniversariante no meio da 25 de Março?

É salve-se quem puder! Segura a bolsa! VIGIAI!

Quando o PAPA JOÃO PAULO II era vivo, tinha gosto de assistir à MISSA DO GALO. Ao menos tentava, antes de adormecer em frente à tv. Hoje em dia continuo tentando, mas o sono vem mais rápido. BENTO XVI nem é tão pop assim.

O que me faz concluir que carisma é tudo nessa vida. Definitivamente, mais do que qualquer competência, a pessoa carismática já tem uma porta aberta em qualquer situação.

Que o digam os penetras profissionais. Até foto com o não menos carismático OBAMA, NOBEL DA PAZ.

Falando em presidente, claro, não poderia deixar comentar nosso LULA.

2009 foi o ano dele, assim como 2008, 2007, 2006… e todos os outros lá para trás. Até filme ele ganhou. Se emocionou, chorou e bradou à imprensa que o brasileiro está na MERDA.

Está e vai ficar por muito tempo, atolado, ilhado, enganado, usurpado…

Infelizmente, chegamos ao ponto que o MUNDO não tem mais salvação.

Desculpem o pessimismo, mas usamos, abusamos e agora tentamos nos enganar achando que medidas emergenciais reparadoras salvarão o PLANETA, congelarão novamente os pólos, evitarão as catástrofes e a extinção das espécies.

Devíamos ser mais realistas, ninguém quer deixar o conforto de lado, as benesses que conquistou em prol dos outros, sejam homens, animais ou plantas. O ser humano é capitalista pela sua natureza selvagem, já dizia uma música.

A PREVENÇÃO foi deixada de lado e agora o REMÉDIO é amargo e sua eficácia, insignificante.

Bom, antes isso do que nada. Acho que sou politicamente correta, ao menos nas minhas atitudes.

Por isso meu desejo sincero de BOAS FESTAS! E que 2010 seja um ano de PAZ!

Boas Festas!

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Mulher

Mulher

Tentei dizer mais de mil vezes
De mil jeitos
De todo o modo
E sem maneiras
Um verbo pouco
Palavra elogiosa
Na nitidez da lembrança tenebrosa
No dialeto profético que um dia se anunciou
Perdido
Em atos falhos
Um eco distendido
Vibrando nas folhas
E elas, uma a uma
Cada uma
Apenas a página de um anúncio qualquer
Visto que sou também mulher
E como tal
Um sopro de vaidade
Mente
Semente
Uma pausa para a razão
Pedaço sumarento
Nobres partes da paixão
Onde não cabem os sensabores
E já não cabe refletir


Anto 1°/08/09

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Páginas


Páginas


Estas são as páginas coloridas do meu caderno em branco
Por onde se precipitam jocosas as letras
E dançam as palavras num silente vadiando

Lambidas as orelhas
Com o volver afoito das alvas folhas
Inevitáveis as dobras marcadas
Violando a pureza
Assinalando os versos que escrevi
E que ainda não havias lido

Dois olhos apenas
Teus semicírculos silentes
A embargar, na beirada de um canto
As páginas que insistem em volta amena

Se amarrotam aos poucos, descompostas
Com os ombros nus e os seios à mostra
Já encardidas
Ao final de leitura
Suave,
Serena dobradura


Anto 24/09/09








domingo, 26 de julho de 2009

Sem perder a pose


Sem perder a pose

Tem gente orgulhosa de proclamar que roda a baiana. Ah, mas estas pessoas são unânimes em afirmar que isto só acontece quando por algum motivo são tiradas do sério. Como se sair do sério fosse a justificativa mais justa (desculpem o inevitável pleonasmo) para os atos insanos que permeariam a tal “roda das baianas”.
A propósito, não sei o que uma coisa tem a ver com a outra. Sempre imaginei uma roda de baianas formada por aquelas gordas e negras senhoras, usando seus trajes branquíssimos, saias rodadas e armadas por camadas e mais camadas de tule, seios fartos saltitando felizes pelos babados dos decotes, a moldura do sorriso franco com o passe-partout dos dentes lindamente perolados, colares de miçangas e patuás, cabelos cuidadosamente escondidos sob os turbantes e as bandejas com acarajé, cocada e outras delícias provenientes de seus tachos e colheres de pau. Tudo na maior tranquilidade.
Será que alguém já as viu se degladiando, dando golpes de capoeira, atirando vatapás e carurus umas contra as outras e resolveu que “rodar a baiana” seria sinônimo de surtos de qualquer ordem?
Vai saber…
Bom e já que uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa, quase esqueci a que vim.
Típico das mentes fervilhantes de possibilidades. Será este um sério problema?
Não vejo assim, ultimamente ser humano é que é um grave problema. O mais simples hábito, a mais inofensiva mania tem toda uma interpretação psicológica própria.
Se você toma banho uma vez por dia será taxado fisicamente de porco. Em análise psíquica poderia ser considerado depressivo, ou borderline (no limite, está na moda), ou bipolar (também tem seus adeptos). O curioso é que ninguém está interessado em saber se você resolveu fazer a sua parte para economizar a água do planeta. Aliás, se tomou essa resolução com toda a probabilidade será diagnosticado simplesmente louco.
Continuando, se faz três ou mais banhos por dia, tem TOC (transtorno obsessivo-compulsivo) e é um FDP (sem necessidade de tradução) pois não está nem aí para a extinção dos recursos hídricos naturais do planeta (!) Hum… quem é o louco mesmo?
É por isso que no Brasil foi instituído o número de dois saudáveis banhos ao dia para a maioria da população. Tudo na mais perfeita ordem e progresso. De outro lado, a França continua produzindo os melhores perfumes…
Opa, já me perdi novamente!
Diria que as aparências enganam mesmo. Aquela mocinha de suaves contornos, carinha angelical, cheirosa, carinhosa, de repente pode dar um grito estridente ao seu lado, chamando alguém para pedir uma informação.
Um misto de desagradável surpresa, uma cara de decepção, um indefectível desgosto na alma… e o pensamento fatal de que se isto se repetir será o fim dos tempos. Para ela, naturalmente.
Autocontrole, este é o segredo para não perder a pose.
Devemos ter em mente que estamos sendo observados todo o tempo. É por isto que rodar a baiana não pega nada bem em algumas situações.
Lembrei da Xuxa. Dizem as más linguas que a loira beliscava seus baixinhos durante as gravações dos programas. Imagino a cena, vários endiabrados mirins atormentando a moça que aparece pelada na revista do papai. Meio que “pedindo para apanhar”, os pestinhas acabavam levando estratégicos beliscões. Doía, mas era bom, afinal quem beliscava era uma gostosa que usava micro-saia e botas brancas de salto alto, a qual não posso deixar de imaginar ter inspirado muitos dóceis frequentadores do underground erotopático.
Bom, ela ao menos tentou ficar na moita, mas a intriga da oposição (ah, aqueles seres invejosos e perversos do universo televisivo) trataram de divulgar o controle estratégico aos participantezinhos do programa. E apesar dos pesares, a enxuta senhora resiste até hoje nas telinhas.
Outro jeito de não perder a pose é assumir a forma de madeira. Isso mesmo, os caras-de-pau são mestres nessa arte.
Quando o assunto é polêmico e você não tem coragem de admitir publicamente que já fez exatamente aquilo que está sendo criticado (claro, ninguém quer ser objeto de piada nas rodas de amigos), é bom que comece a recitar mentalmente um mantra para manter as feições inalteradas, com absoluta cara de paisagem. Para ser mais convincente, faça movimentos de concordância com a cabeça, dessa forma as suspeitas recairão sobre o amigo ao seu lado que ficou paralisado e vermelho como um perú assado, o qual estará pensando: “PQP, sei que não estão falando de mim, afinal não faço xixi na calça. Mas então porque raios estou pegando fogo?”
E você, que passou a última noite de São João enchendo a lata de quentão e saltando a fogueira iá-iá/pulando a fogueira iô-iô estará livre de qualquer suspeita.
Como diria Lobão, decadence avec elegance. Mas sem jamais perder a pose, sacou?

Anto 26/07/09


segunda-feira, 20 de julho de 2009

Os segredos da (aceitável) convivência com as fãs


Os segredos da (aceitável) convivência com as fãs.

Dia destes, entre um café e outro e conversas mais que animadas, resolveram lançar na roda um tema polêmico: a arte de conviver entre os seres humanos.

Como é dificil às vezes ter que agradar a gregos e troianos. Obviamente, não podemos simplesmente viver em função dos outros, sejam eles nossos filhos, companheiros ou mesmo os amigos, por vezes espaçosos demais. Mas o fato é que pessoas normais tendem a querer o bem de seus entes e a vê-los felizes, não raro desdobrando-se para tal.

Comigo não é diferente e acredito que com você também não.

Foi quando uma amiga, que já namorou um músico surgiu com o seguinte discurso para justificar o recente rompimento: “Ah, a gente aguenta tudo, mas não dá pra aturar aquelas fãs se jogando em cima do seu amado.”

É claro que essa declaração denota uma réstia de insegurança, mas por razões óbvias não pude deixar de imaginar como é estar em seu lugar.

Fiquei pensando cá com meus botões porque é que as fãs agem assim, “se jogando” e cheguei a algumas conclusões.

1- Fã é como se fosse uma profissão. Ela veste e sua a camisa e portanto se sente com todos os direitos do mundo sobre o ídolo.
2- Fã não quer saber se o ídolo é comprometido ou não, afinal ela está muito além de qualquer nomenclatura sócio/pessoal.
3- Fã se considera a única. É o momento que tem para sentir-se especial e não vai abrir mão dele jamais.
4- Fã sabe que o ídolo precisa dela para existir e para que ela própria coexista.
5- Fã é fiel, segue o ídolo por onde ele estiver.
6- Fã sonha e faz conjecturas hipotéticas a respeito do ídolo, na esperança de que ele um dia a veja com outros olhos.
7- Fã precisa ter um canal de comunicação direto com o ídolo e ela sempre dá um jeito de conseguir.
8- Fã tem o maior orgulho de ser fã e vai dizer de boca cheia para o mundo que é amigona do ídolo.

Como minha amiga não se convenceu da simplicidade da coisa, resolvi mostrar-lhe o outro lado, ou seja, o lado bom que as fãs proporcionam.

1- Fã é como termômetro, quanto mais delas, melhor o ídolo.
2- Fã trabalha de graça, ela não se importa em cuidar da divulgação da agenda, da assessoria e do marketing do ídolo.
3- Fã quer mostrar ao seu rol de amigos como o ídolo é maravilhoso, dessa forma garantindo a agremiação de novas fãs.
4- Fã nem se dá conta de como é boa, afinal os ítens anteriores ajudam a engordar a conta bancária do ídolo pra que ele gaste tudo adivinha com quem?

Conselho valioso para as amigas que (ainda) têm um amado músico/ator/atleta: Cuide bem das fãs de seu querido. Sem elas a vida de vocês dois seria muito monótona. E pobre!

Anto 20/07/09